Assisto a pessoas reafirmarem, com respaldo no editorial de O Globo, de 15 de outubro de 2026, que as últimas ações do nosso presidente Lula correspondem a um “surto eleitoreiro”.
Curioso! Quando um governo trabalha, anuncia medidas e procura responder às necessidades da população, há quem prefira enxergar nisso uma obsessão eleitoral.
Mas, afinal, desde quando governar e buscar reconhecimento popular são coisas incompatíveis?
Em uma democracia, o governo é avaliado por suas ações. O eleitor tem o direito de aprovar ou reprovar. E a imprensa tem o dever de fiscalizar — não de disfarçar opiniões políticas sob o manto da neutralidade.
A pergunta que fica é: o que incomoda mais? A possibilidade de Lula conquistar votos ou a possibilidade de que suas ações conquistem eleitores?
Afinal, quando um governo toma medidas que podem ampliar sua aprovação popular, isso é motivo de crítica ou faz parte do jogo democrático?
Criticar é legítimo. Fiscalizar é necessário. Mas substituir argumentos por rótulos depreciativos empobrece o debate público.
Porque, quando a crítica abandona os argumentos e aposta nos rótulos, talvez o problema não esteja no suposto surto de quem governa, mas na dificuldade de reconhecer que, em uma democracia, quem dá a última palavra é o povo.
Rio de Janeiro, 23 de outubro de 2026 — 7h46