Na lei do fado escuro a força traça o passo,
que molda o gume firme e sela o seu futuro.
Ninguém esquiva o golpe ou rompe o cego laço,
do tempo que devora o mármore mais duro.
A vida enreda a mente e trava o nobre braço,
na sombra em que se vaga em mar de porto escuro.
Nenhum poder terreno amansa o vasto espaço,
nem quebra a teia oculta ou ergue o fosco muro.
No leme forte e rijo impera a sã vontade.
Contudo, a noite cega invade a vasta esfera
e o vento incerto e frio expõe a falsidade:
Em marcha de astro mudo a alma em vão espera.
Há lei de rocha eterna em toda a eternidade,
e tomba o sonho em pó e rui a vã quimera.
Rio de Janeiro, 9 de outubro de 2026 — 14h20