Há uma contradição curiosa: pessoas que recebem medicamentos caríssimos gratuitamente pelo SUS nem sempre reconhecem a importância das políticas públicas que tornam esse benefício possível.
O medicamento não é favor de político, bondade de governante ou presente do Estado. É um direito, garantido por uma política pública de saúde e financiado coletivamente.
O SUS tem falhas e precisa melhorar. Criticá-lo é legítimo. Ignorar sua importância, porém, é outra história. Afinal, é fácil condenar o Estado até o dia em que precisamos dele para obter o tratamento que não podemos pagar. É como atravessar uma ponte e, já do outro lado, negar a importância de sua construção.
A contradição é esta: desprezar as políticas públicas e, ao mesmo tempo, depender delas para ter acesso ao medicamento que o próprio bolso não pode comprar.
O direito é público; a incoerência, individual
Rio de Janeiro, 8 de outubro de 2026 — 12h10