A luz é nômade.
Atinge a pedra, a flor, a água
— e nada permanece igual.
Uma semente conhece a terra,
a flor conhece o vento,
a queda conhece o chão.
Move-se o invisível
— sem pressa.
Não é sentença. É espelho.
Nenhuma voz pronuncia seu nome.
Ainda assim, algo responde
quando a causa encontra o efeito,
quando o gesto retorna ao mundo,
quando o silêncio é consequência.
As zênites não falam
— revelam.
Quanto mais alto o céu,
mais profundo o silêncio.
O ápice de cada gesto
é a colheita do próprio agir.
Rio de Janeiro, 14 de setembro de 2026 — 00h10