Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Meu Eu-poético sente saudades de algo eterno, do qual não se consegue lembrar... (Sílvia Mota)
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Textos

Hino da Bandeira Nacional: análise literária e interpretativa da Letra Oficial

Música: Francisco Braga

Letra: Olavo Bilac

1

Salve, lindo pendão da esperança,

Salve, símbolo augusto da paz!

Tua nobre presença à lembrança

A grandeza da Pátria nos traz.

Refrão

Recebe o afeto que se encerra

Em nosso peito juvenil,

Querido símbolo da terra,

Da amada terra do Brasil!

2

Em teu seio formoso retratas

Este céu de puríssimo azul,

A verdura sem par destas matas,

E o esplendor do Cruzeiro do Sul.

Refrão

Recebe o afeto que se encerra

Em nosso peito juvenil,

Querido símbolo da terra,

Da amada terra do Brasil!

3

Contemplando o teu vulto sagrado,

Compreendemos o nosso dever;

E o Brasil, por seus filhos amado,

Poderoso e feliz há de ser.

Refrão

Recebe o afeto que se encerra

Em nosso peito juvenil,

Querido símbolo da terra,

Da amada terra do Brasil!

4

Sobre a imensa Nação Brasileira,

Nos momentos de festa ou de dor,

Paira sempre, sagrada bandeira,

Pavilhão da Justiça e do Amor!

Refrão

Recebe o afeto que se encerra

Em nosso peito juvenil,

Querido símbolo da terra,

Da amada terra do Brasil!

Origem

Esta é a letra do Hino à Bandeira Nacional, com música de Francisco Braga e poema de Olavo Bilac. Foi apresentada pela primeira vez em 19 de novembro de 1906, data comemorativa da Bandeira Nacional.

Um detalhe interessante: o título costuma aparecer como “Hino à Bandeira Nacional”, e não simplesmente “Hino da Bandeira”. A obra exalta a bandeira como símbolo da Pátria, associando-a à esperança, paz, dever, justiça e amor.

Análise das estrofes

O Hino à Bandeira Nacional é um poema de forte caráter cívico, mas Olavo Bilac não se limita a exaltar o tecido, as cores ou o desenho da bandeira. A bandeira aparece como símbolo moral da própria Pátria.

1 A bandeira como símbolo de esperança e paz

“Salve, lindo pendão da esperança”

Pendão é uma bandeira, estandarte ou insígnia.

Bilac começa com uma saudação solene: “Salve”. A bandeira representa a esperança e, logo em seguida, a paz:

“Salve, símbolo augusto da paz!”

“Augusto” significa solene, grandioso, digno de veneração. A bandeira, portanto, recebe uma dimensão quase sagrada.

Há uma passagem particularmente bonita:

“Tua nobre presença à lembrança

A grandeza da Pátria nos traz.”

A visão da bandeira desperta na memória a grandeza do Brasil. Não é apenas um objeto: é um signo que evoca a Pátria.

Refrão — o “peito juvenil”

“Recebe o afeto que se encerra

Em nosso peito juvenil”

Aqui aparece uma ideia muito própria do início da República: a formação cívica dos jovens.

O sentimento pela Pátria é apresentado como algo guardado no peito, quase como uma força interior. A bandeira recebe esse afeto porque representa a terra natal:

“Querido símbolo da terra,

Da amada terra do Brasil!”

A repetição do refrão reforça essa relação afetiva: símbolo → terra → Brasil → amor.

2 A bandeira como imagem do território brasileiro

Nesta estrofe, Bilac olha para a própria composição da bandeira:

“Em teu seio formoso retratas

Este céu de puríssimo azul”

O verbo “retratas” é fundamental. A bandeira passa a ser uma representação visual da natureza brasileira.

O azul remete ao céu; o verde, às matas:

“A verdura sem par destas matas”

E surge o Cruzeiro do Sul, constelação de enorme importância simbólica para o Brasil:

“E o esplendor do Cruzeiro do Sul.”

É uma estrofe essencialmente visual. Bilac transforma a bandeira numa espécie de paisagem condensada do Brasil.

3 Da contemplação ao dever

Ao meu olhar poético, esta é uma das estrofes mais importantes do poema:

“Contemplando o teu vulto sagrado,

Compreendemos o nosso dever;”

Perceba a progressão:

contemplar → compreender → cumprir.

A bandeira não existe apenas para ser admirada. Sua presença deveria despertar no cidadão uma consciência de responsabilidade.

E então:

“E o Brasil, por seus filhos amado,

Poderoso e feliz há de ser.”

O futuro do país depende dos seus “filhos”. Existe aqui uma concepção bastante clara de cidadania: amar a Pátria implica também assumir deveres perante ela.

4 A bandeira acima dos momentos humanos

A última estrofe amplia ainda mais o símbolo:

“Sobre a imensa Nação Brasileira,

Nos momentos de festa ou de dor,”

É uma imagem muito poderosa. A bandeira permanece acima das circunstâncias: festa ou dor, vitória ou sofrimento, alegria ou crise.

Por isso:

“Paira sempre, sagrada bandeira,”

O verbo “pairar” cria uma imagem de algo elevado, suspenso sobre a nação.

E o poema termina com dois valores universais:

“Pavilhão da Justiça e do Amor!”

Não é apenas o pavilhão do Brasil. É o pavilhão de uma ideia de Brasil: uma nação fundada na justiça e no amor.

A estrutura do poema

Há uma construção muito bem organizada:

1ª estrofe — a bandeira como símbolo

→ esperança, paz e grandeza da Pátria.

2ª estrofe — a bandeira como imagem

→ céu, matas e Cruzeiro do Sul.

3ª estrofe — a bandeira como consciência

→ dever, amor e responsabilidade dos cidadãos.

4ª estrofe — a bandeira como valor

→ presença permanente sobre a nação, na festa e na dor.

E o refrão, repetido depois de cada estrofe, funciona como uma espécie de coração do hino: o afeto pelo símbolo e pela terra brasileira.

Há uma trajetória muito bonita no decorrer deste poema: da visão para a memória; da memória para o sentimento; do sentimento para o dever; e do dever para a Justiça e o Amor.

Rio de Janeiro. Texto sem data.

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Enviado por Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz em 13/09/2026
Alterado em 13/09/2026
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