Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Meu Eu-poético sente saudades de algo eterno, do qual não se consegue lembrar... (Sílvia Mota)
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Textos

Quando a Justiça tem preço

Bem comum. Duas palavras simples, quase esquecidas no vocabulário de quem confunde o espaço público com extensão dos próprios interesses.

Quem ocupa uma função pública carrega uma responsabilidade que ultrapassa a própria pessoa. No Direito, essa responsabilidade ganha ainda mais peso, porque cada decisão, cada parecer, cada ato pode alcançar a vida de muitos.

Integridade não é ornamento. É escolha. Probidade, retidão e justiça constituem a base de qualquer atuação comprometida com a coletividade.

O problema surge quando o indivíduo ocupa o lugar da sociedade. O ultra-individualismo, o consumismo e certo narcisismo vestido de mérito alimentam a ideia de que a vantagem pessoal justifica quase tudo. O interesse particular ganha voz; o coletivo perde espaço.

A corrupção representa o ponto extremo dessa inversão. Quando uma decisão judicial, um parecer ou um indiciamento adquire preço, a Justiça perde sua dimensão pública. O direito de todos cede lugar ao poder de quem pode pagar. O mais grave, porém, não está apenas no dinheiro que muda de mãos. Está na confiança que desaparece.

Uma sociedade pode sobreviver a muitas imperfeições. Sem confiança nas instituições, porém, o próprio sentido de Justiça começa a se dissipar no silêncio das consciências.

O bem comum não pertence a um grupo, a um partido, a uma classe ou a um indivíduo. Pertence a todos.

Talvez a verdadeira medida de uma função pública esteja justamente nisso: quanto maior o poder, menor deveria ser a sombra do interesse pessoal.

Quando essa medida se perde, a Justiça deixa de servir à coletividade. E o bem comum cede seu lugar à moeda de troca.

Triste, muito triste.

Rio de Janeiro, 11 de setembro de 2026 — 7h50

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Enviado por Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz em 11/09/2026
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