A “Canção do Expedicionário” é uma das obras musicais mais marcantes da memória da Força Expedicionária Brasileira (FEB), que combateu na Itália durante a Segunda Guerra Mundial. A letra é do ensaista e poeta Guilherme de Almeida e a música, de Spartaco Rossi. A obra foi escrita em 1944, no contexto da participação brasileira na guerra, e sua gravação foi realizada em 8 de setembro de 1944, na voz de Francisco Alves, com acompanhamento da Orquestra Odeon. (Museu Virtual da FEB).
Mais do que uma canção militar, a obra é uma declaração de amor à terra natal. Guilherme de Almeida reúne morros, engenhos, cafezais, praias, montanhas, pampas, rios e referências da cultura brasileira para construir um verdadeiro mapa lírico do Brasil, levado no coração pelo expedicionário que parte para a guerra. O famoso verso “Por mais terras que eu percorra, / Não permita Deus que eu morra / Sem que volte para lá” traduz a saudade e o desejo de retorno. (Museu Virtual da FEB)
Embora não seja o hino oficial da FEB em sentido estrito, a canção tornou-se, na memória brasileira, o grande símbolo musical dos pracinhas e permanece profundamente associada à participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial.
Ouça a canção no Youtube:
https://youtu.be/fTMVv_u6jRQ?is=-uu8pBliO77uCQUh
Canção do Expedicionário
Composição: Guilherme de Almeida / Spartaco Rossi.
Você sabe de onde eu venho?
Venho do morro, do Engenho,
Das selvas, dos cafezais,
Da boa terra do coco,
Da choupana onde um é pouco,
Dois é bom, três é demais,
Venho das praias sedosas,
Das montanhas alterosas,
Dos pampas, do seringal,
Das margens crespas dos rios,
Dos verdes mares bravios
Da minha terra natal.
Por mais terras que eu percorra,
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá;
Sem que leve por divisa
Esse “V” que simboliza
A vitória que virá:
Nossa vitória final,
Que é a mira do meu fuzil,
A ração do meu bornal,
A água do meu cantil,
As asas do meu ideal,
A glória do meu Brasil.
Eu venho da minha terra,
Da casa branca da serra
E do luar do meu sertão;
Venho da minha Maria
Cujo nome principia
Na palma da minha mão,
Braços mornos de Moema,
Lábios de mel de Iracema
Estendidos para mim.
Ó minha terra querida
Da Senhora Aparecida
E do Senhor do Bonfim!
Por mais terras que eu percorra,
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá;
Sem que leve por divisa
Esse “V” que simboliza
A vitória que virá:
Nossa vitória final,
Que é a mira do meu fuzil,
A ração do meu bornal,
A água do meu cantil,
As asas do meu ideal,
A glória do meu Brasil.
Você sabe de onde eu venho?
É de uma Pátria que eu tenho
No bojo do meu violão;
Que de viver em meu peito
Foi até tomando jeito
De um enorme coração.
Deixei lá atrás meu terreno,
Meu limão, meu limoeiro,
Meu pé de jacarandá,
Minha casa pequenina
Lá no alto da colina,
Onde canta o sabiá.
Por mais terras que eu percorra,
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá;
Sem que leve por divisa
Esse “V” que simboliza
A vitória que virá:
Nossa vitória final,
Que é a mira do meu fuzil,
A ração do meu bornal,
A água do meu cantil,
As asas do meu ideal,
A glória do meu Brasil.
Venho do além desse monte
Que ainda azula o horizonte,
Onde o nosso amor nasceu;
Do rancho que tinha ao lado
Um coqueiro que, coitado,
De saudade já morreu.
Venho do verde mais belo,
Do mais dourado amarelo,
Do azul mais cheio de luz,
Cheio de estrelas prateadas
Que se ajoelham deslumbradas,
Fazendo o sinal da Cruz!
Por mais terras que eu percorra,
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá;
Sem que leve por divisa
Esse “V” que simboliza
A vitória que virá:
Nossa vitória final,
Que é a mira do meu fuzil,
A ração do meu bornal,
A água do meu cantil,
As asas do meu ideal,
A glória do meu Brasil.