Confúcio deixou, há muitos séculos, uma frase que parece simples — até o momento em que nos obriga a olhar para dentro:
“Quando vir um homem bom, tente imitá-lo. Quando vir um homem mau, reflita.”
À primeira vista, parece fácil.
Diante de alguém virtuoso, admiramos. Talvez até invejemos, em segredo, a serenidade de quem parece ter encontrado uma forma mais digna de viver. Mas Confúcio não nos permite ficar apenas na admiração: imite-o.
A dificuldade começa depois.
Diante de alguém mau, nosso primeiro impulso é julgar. Apontamos suas falhas, enumeramos seus erros e nos convencemos de que somos diferentes.
Confúcio, porém, interrompe esse julgamento com uma única palavra: reflita.
É nesse momento que o outro deixa de ser apenas o outro, para transforma-se em espelho.
Talvez essa seja a delicadeza — e também a crueldade — da sabedoria: o ser humano virtuoso nos mostra quem podemos ser; aquele que condenamos nos pergunta, em silêncio, o que ainda existe dele em nós.
Confúcio sabia que até o erro alheio pode se tornar um mestre. Mas apenas para quem tem coragem de aprender.
Rio de Janeiro. Texto sem data.