Viver é aprender que a primeira impressão quase nunca basta. O essencial raramente se mostra por inteiro; permanece discreto, à espera de um olhar mais atento.
Isso não significa dizer que é necessário viver em permanente desconfiança.
A lucidez não nasce da suspeita constante, mas da capacidade de perceber o que não se impõe de imediato. Há silêncios que dizem mais do que discursos inflamados e detalhes que revelam aquilo que as aparências ocultam.
A realidade dificilmente se deixa compreender de uma só vez. Como uma paisagem envolta em névoa, revela seus contornos à medida que o olhar amadurece.
Compreender a vida exige paciência, discernimento e disposição para atravessar o que é superficial, pois nem sempre o que se apresenta com brilho ou facilidade corresponde ao que verdadeiramente sustenta as coisas.
Rio de Janeiro, texto sem data.