Há sombras que conheço pelo nome. Ausências que se sentam à mesa da memória. Solidões que atravessam a tarde como névoa sobre águas antigas. Nenhuma delas, porém, encontrou morada definitiva em mim.
A melancolia visita, mas não governa. Da própria tristeza recolho matéria para outra arquitetura: uma luz discreta, quase invisível, que insiste em permanecer acesa quando o horizonte tarda a florescer.
Talvez por isso eu escute, mesmo nas noites mais densas, um canto vindo de longe. E, quando o canto parece extinguir-se, nasce o contracanto. Não como negação da escuridão, mas como nova direção do vento.
Antes de tudo, sou esperança. E a fé, esse pássaro sem mapa, sempre encontra céu para prosseguir.
Rio de Janeiro, 20 de junho de 2026 — 13h40