Da sombra escuto o canto
que cruza a noite vazia;
sobre o dorso do silêncio
navega a melodia.
Também conheço as marés
de escura recordação;
as pesadas de névoa
que velam a solidão.
Mas quando o jazz
se derrama no ar,
algo desperta nas penas
com desejo de voar.
Toda tristeza resguarda
um lume quase invisível;
mesmo na noite profunda
há um horizonte possível.
Se a ilha conserva a ausência
e se o céu demora a florir,
o canto não morre no escuro —
muda de vento ao partir.
Rio de Janeiro, 18 de junho de 2026 — 15h15