O jardim recolhe as vozes,
as folhas regressam à terra,
e, mesmo assim, floresce.
A rosa de outono
não possui a pressa,
nem a alegria da primavera.
Traz nas pétalas
a ciência silenciosa
das lágrimas e das perdas.
Conhece a ruína,
a utopia do amor,
e não renuncia à beleza.
Sob a luz inclinada da tarde,
ainda é perfume
e delicada melancolia.
Talvez recorde, no vento,
o jardim invisível
onde toda ausência é encontro.
Guarda em suspiros
o último ouro do tempo,
antes da chegada do frio.
Rio de Janeiro, 18 de junho de 2026 — 14h05