Na casa onde o tempo se curva, o eu poético transita entre dois altares: a solidão, virginal e ferida, que chega em mantos de ausência e reclama a presença perdida; e a solitude, templo escolhido, onde o silêncio se faz relicário e a alma labora como ourives. A primeira é um vazio que exige nome, a segunda, um vácuo que se enche de ofício. Em ambas, porém, a linguagem acende velas: ora para velar o luto, ora para esculpir a própria companhia. E assim, no sopro que separa pena e martelo, o poeta aprende que a solidão pode ensinar o aço, e a solitude, temperá-lo em brilho.
Rio de Janeiro, 1⁰ de junho de 2026 — 5h25