Gaza — a infância sob as ruínas
Algumas notícias não chegam como informação; chegam como ferida. A morte de crianças em uma guerra não pertence ao campo ordinário dos números. Cada criança morta arrasta consigo um universo interrompido: a palavra que ainda não amadureceu na boca, o gesto que mal começou a aprender o mundo, a promessa de um futuro ainda sem nome.
Quando a infância é atingida, não morre apenas um corpo pequeno. Morre a própria ideia de amanhã.
A guerra, que tantas vezes se veste com a linguagem áspera da estratégia, da segurança e das fronteiras, encontra sua mais grave acusação no rosto de uma criança. Ali, toda retórica se desfaz. Nenhuma razão de Estado, nenhum cálculo militar, nenhuma disputa territorial consegue pacificar a consciência diante do corpo infantil lançado ao pó.
As imagens que chegam de Gaza têm essa potência terrível: tornam visível o que a linguagem política tenta obscurecer. O noticiário recente voltou a registrar a morte de um menino de nove anos em um ataque israelense, em meio à continuidade das ofensivas e ao agravamento da crise humanitária.
A infância deveria ser o lugar do espanto inaugural, do brinquedo, do sonho sem defesa. Em vez disso, torna-se território de escombros.
Há algo de filosoficamente insuportável nisso. A criança representa o porvir em estado puro; sua morte é a destruição antecipada do tempo.
Não se trata apenas de uma tragédia individual. É a civilização que se examina no espelho de sua própria ruína.
Rio de Janeiro, 29 de abril de 2026 — 23h25
Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Enviado por Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz em 10/06/2026
Alterado em 10/06/2026
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