Abre-se devagar.
Segredo antigo
que nem a manhã
consegue entender
ou guardar.
Há pétalas.
Pétalas sobre pétalas,
círculos de delicadeza
em torno
de um silêncio.
Nenhum gesto excede.
A beleza habita
a exata medida
entre a presença
e o mistério.
O outono passa
com mãos de cobre
e a camélia permanece
como quem conhece
o nome oculto das estações.
Sob a luz breve
recolhe o céu,
recolhe a névoa,
recolhe o tempo.
Depois floresce.
E sobre o jardim
permanece aberta
uma pequena porção
de eternidade.
Rio de Janeiro, 10 de junho de 2026 — 11h