Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Meu Eu-poético sente saudades de algo eterno, do qual não se consegue lembrar... (Sílvia Mota)
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Textos

Camélia

 

Abre-se devagar.

Segredo antigo

que nem a manhã

consegue entender

ou guardar.

 

Há pétalas.

Pétalas sobre pétalas,

círculos de delicadeza

em torno

de um silêncio.

 

Nenhum gesto excede.

A beleza habita

a exata medida

entre a presença

e o mistério.

 

O outono passa

com mãos de cobre

e a camélia permanece

como quem conhece

o nome oculto das estações.

 

Sob a luz breve

recolhe o céu,

recolhe a névoa,

recolhe o tempo.

Depois floresce.

 

E sobre o jardim

permanece aberta

uma pequena porção

de eternidade.

 

Rio de Janeiro, 10 de junho de 2026 — 11h

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Enviado por Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz em 10/06/2026
Alterado em 10/06/2026
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