Numa pequena fazenda cercada por girassóis, vivia um cachorrinho golden chamado Dourado. O pelo brilhava sob o sol da manhã, e o rabo parecia uma bandeira de alegria.
Certa manhã, enquanto passeava pela horta, Dourado encontrou uma cenoura diferente.
— Bom dia! — disse a cenoura.
O cachorrinho arregalou os olhos.
— Cenouras falam?
— Apenas quando alguém presta atenção — respondeu a cenoura.
Dourado sentou-se na terra que cobria o canteiro, ao lado da cenoura.
— E por que você está tão pensativa?
A cenoura suspirou.
— Sonho em conhecer o mundo além desta terra. Gostaria de ver montanhas, rios e estradas viajantes.
Dourado observou o campo ao redor.
— Mas você é uma cenoura com as raízes presas no chão. Como poderá viajar?
A cenoura permaneceu em silêncio por alguns instantes.
— Você tem razão... alguns sonhos são grandes demais.
O cachorrinho passou a visitá-la todos os dias. Contava histórias sobre borboletas coloridas, pássaros aventureiros e caminhos de terra que serpenteavam até o horizonte.
A cada relato, a cenoura parecia mais feliz.
E o tempo passou...
Chegou então o tempo da colheita.
Dourado correu até a horta e não encontrou a amiga. Ficou muito triste.
Dias depois, viu um grupo de crianças espalhando sementes no mesmo canteiro. Entre elas, uma linda menina de pele bem preta carregava a antiga cenoura.
Dourado compreendeu.
A cenoura não viajaria pelos próprios passos. Viajaria pelas histórias que inspirou, pelas sementes que ajudou a plantar e pela alegria que deixara para trás.
E o tempo passou novamente...
Na primavera seguinte, dezenas de pequenas cenouras surgiram da terra, e o vento passou entre as folhas verdes como quem contava segredos.
Dourado abanou o rabo. Compreendeu que talvez existam sonhos que não servem para nos levar para longe. Talvez alguns sonhos existam para fazer florescer novos caminhos onde estamos.
Reflexão:
Os sonhos possuem muitas formas. Alguns nos conduzem pelo mundo; outros transformam o mundo ao nosso redor.
[Texto sem data]