No reino sem grandeza há ventos em negrura
e névoa triste e espessa envolve a criatura
que jaz adormecida. Esquece a própria sina
de ser calor e luz que a vida lhe destina.
O tempo segue grave e a capa da amargura
cintila em cinza e gelo e nada lhe assegura
o adejo fulgurante. Um véu de cor menina
é quase império e voz sem calma cristalina.
Na fênix há destino — a trama se arrebenta
no íntimo abrasivo e acorda a fonte incerta.
Há choro sem sofrer. Raiz sem dor sangrenta.
As asas batem forte — o vôo é soberano
e rasga o céu do amor que aos poucos se liberta.
O belo então reluz. Há gosto do profano.
Rio de Janeiro, 4 de junho de 2026 — 17h22