No bosque em flor e à sombra esbelta da folhagem,
o par primevo ensina o amor que vem da mente;
sem tempo e sem revés, sem tédio ou sem barragem,
a luz da paz circula e afaga simplesmente.
Mas eis que surge assim, não mais que de repente,
o pomo do saber, dourado na maldade;
e sob o olhar de visgo, astuto da serpente,
a fêmea o braço estende e rompe a castidade.
Adão morde a maçã que a esposa lhe oferece.
Num átimo o jardim destroça o manto antigo
e o pensamento é nu — terror que permanece...
Do céu provém um som de raio em luz que desce.
Expulsos para o chão, rastejam no castigo
e o amor se faz mortal — pecado em nós floresce...
Rio de Janeiro, 2 de junho de 2026 — 4h50