Embriago-me de arte, de poesia, de beleza — como quem se expõe a uma vertigem sem excesso, uma precisão do belo que não se anuncia nem se explica, apenas se impõe no ponto íntimo onde a linguagem falha e, ainda assim, sustenta.
Não fuga, mas atenção ferida ao que resiste à tradução, ao que permanece em estado de limite.
A poesia não repousa: desloca o eixo das emoções, desorganiza centros possíveis, devolve o pensamento a um território instável. A arte não consola: abre frestas anônimas sobre superfícies indecifráveis, onde o mundo parece sempre ligeiramente deslocado de si.
E a beleza... quando a beleza chega, não pede permanência — atravessa. E, ao atravessar, desfaz-se, deixando apenas a marca breve de uma passagem sem retorno.
Rio de Janeiro, 31 de maio de 2026 — 12h29