Selfie de Flávio Bolsonaro com Donald Trump: grandeza em baixa resolução política
A imagem circula com a pressa habitual das coisas que não precisam de contexto para produzir efeito. Dois rostos conhecidos, um gesto de proximidade, bandeiras ao fundo — e a promessa implícita de uma importância que se sustenta mais na circulação do que na substância.
Não há tratado, não há anúncio relevante, não há ruptura diplomática. Há enquadramento. E o enquadramento, na política contemporânea, já é linguagem suficiente. O resto pode ser sugerido: influência, acesso, relevância, pertencimento a uma cena maior do que a própria fotografia consegue provar.
Entre o gesto e sua interpretação abre-se um espaço generoso, ocupado imediatamente pela imaginação pública. É nesse espaço que a imagem ganha volume e que a baixa resolução técnica se converte em alta resolução simbólica.
No fim, não é a política que se internacionaliza na fotografia. É a fotografia que substitui, por risíveis instantes, a política.
Rio de Janeiro, 27 de maio de 2026 — 4h10.