Nawal El Saadawi (1931–2021) foi uma das intelectuais mais influentes e controversas do mundo árabe. Médica, psiquiatra, escritora, feminista e ativista política, dedicou a vida à denúncia da opressão das mulheres, da violência patriarcal e do autoritarismo religioso e estatal no Egito.
Nasceu em Kafr Tahla, pequena aldeia próxima ao Cairo, em uma família relativamente instruída. Ainda criança, sofreu mutilação genital feminina — experiência que marcaria profundamente sua obra e seu ativismo posterior. Formou-se em Medicina pela Universidade do Cairo, especializando-se em psiquiatria e saúde pública.
Durante os anos 1960 e 1970, trabalhou como médica rural e observou de perto a situação das mulheres pobres no Egito: casamentos forçados, violência doméstica, repressão sexual e desigualdade econômica. Essas experiências alimentaram seus livros ensaísticos e ficcionais.
Seu livro mais famoso, A Mulher no Ponto Zero, publicado em 1975, narra a história de Firdaus, mulher condenada à morte após matar um cafetão. A obra tornou-se um clássico do feminismo internacional. Outro livro importante, The Hidden Face of Eve, criticou abertamente práticas patriarcais e religiosas que submetiam mulheres no mundo árabe.
Por suas posições políticas, foi perseguida pelo governo egípcio. Em 1981, durante o regime de Anwar Sadat, chegou a ser presa junto com outros intelectuais dissidentes. Na prisão, escreveu em papel higiênico com lápis de sobrancelha, transformando a experiência em testemunho literário.
Recebeu ameaças de grupos extremistas e viveu períodos de exílio, inclusive nos Estados Unidos, onde lecionou em universidades. Mesmo assim, continuou criticando tanto o fundamentalismo religioso quanto o colonialismo ocidental, recusando simplificações ideológicas.
A história frequentemente compartilhada sobre a infância — quando teria escurecido os dentes com berinjela para afastar pretendentes de um casamento arranjado — aparece em entrevistas e relatos biográficos associados à autora. O episódio tornou-se simbólico de sua rebeldia precoce contra imposições patriarcais, embora detalhes exatos variem conforme a fonte.
Morreu em 2021, aos 89 anos, no Cairo. Sua obra permanece como referência central do feminismo árabe contemporâneo e da literatura política do século XX.
Referências bibliográficas
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Rio de Janeiro, 18 de maio de 2026 — 22h54