Algumas dores não gritam. Apenas esvaziam os dias lentamente, como quartos onde a luz deixou de entrar.
Viktor Frankl, psiquiatra, neurologista e escritor austríaco, conhecido principalmente por desenvolver a Logoterapia — abordagem psicológica baseada na busca de sentido como força fundamental da existência humana — nasceu em Viena, em 1905.
O estudioso sobreviveu aos campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, incluindo Auschwitz. A experiência extrema do sofrimento e da perda marcou profundamente sua reflexão filosófica e psicológica.
Dentre as suas obras, a mais conhecida é Man's Search for Meaning, publicada em português sob o título Em busca de sentido, na qual relata sua vivência nos campos de concentração e desenvolve a ideia de que o ser humano pode suportar quase qualquer sofrimento quando encontra uma razão para continuar a viver.
Na Logoterapia, Viktor Frankl defende que a vida conserva sentido mesmo em meio à dor; que o ser humano preserva certa liberdade interior diante das circunstâncias; e que responsabilidade e propósito permanecem centrais para a saúde psíquica.
Viktor Frankl compreendeu que o sofrimento, por si só, não destrói inteiramente o ser humano; o que verdadeiramente corrói é a ausência de sentido. Quando não mais se encontra razão para continuar, até as manhãs parecem perder substância.
Talvez por isso certos gestos mínimos sustentem existências inteiras: um afeto, uma memória, um trabalho, uma promessa silenciosa. O sentido nem sempre elimina a dor — mas impede que a alma se torne desabitada.
Rio de Janeiro, 17 de maio de 2026 — 3h29