Josei Toda (1900–1958) foi um educador, editor e líder budista japonês, reconhecido sobretudo como o segundo presidente da Soka Gakkai.
Discípulo direto de Tsunesaburo Makiguchi, deu continuidade ao movimento fundado por seu mestre, aprofundando sua dimensão ética, educacional e filosófica. Sua formação inicial esteve ligada ao campo da educação e da publicação, áreas nas quais atuou antes de se dedicar integralmente à difusão do budismo de Nichiren Daishonin.
Durante a Segunda Guerra Mundial, foi preso por se recusar a apoiar o xintoísmo estatal e a ideologia militar do período. Essa experiência marcou profundamente sua compreensão da dignidade humana e do sofrimento, convertendo o cárcere em um espaço de elaboração existencial. Ali, desenvolveu uma leitura do budismo em que a transformação interior se torna eixo de resistência espiritual e reconstrução da vida sob condições extremas.
Após sua libertação, em 1945, reorganizou a Soka Gakkai no contexto do Japão do pós-guerra e conduziu sua expansão. Em 1951, assumiu oficialmente sua presidência, enfatizando a prática da recitação de Nam-myoho-renge-kyo como meio de transformação interior e de construção de uma vida mais significativa.
Nesse percurso, Toda ultrapassa a figura de dirigente institucional. Sua trajetória pode ser compreendida como a de um intérprete da dor histórica convertida em princípio de ação interior. Não se trata apenas de liderança religiosa, mas de uma reflexão viva sobre a dignidade humana a partir do sofrimento.
Herda de Makiguchi uma visão na qual a vida não é abstração, mas campo de criação de valor. A partir dessa herança, articula a transformação do indivíduo à responsabilidade perante o mundo, integrando interioridade e dimensão social numa mesma dinâmica ética.
Ao assumir a presidência da Soka Gakkai no pós-guerra, desloca essa reflexão para o plano coletivo, defendendo a ideia de que a mudança interior possui implicações sociais profundas, sustentadas pelo diálogo e pela afirmação da dignidade da vida.
Sua contribuição pode ser compreendida como uma filosofia da reconstrução: não a negação do sofrimento, mas sua transfiguração em consciência ativa. A existência, em sua leitura, não se define pela ausência de ruptura, mas pela capacidade de atravessá-la sem perda da potência de criação de sentido.
Faleceu em 1958, deixando um legado posteriormente ampliado por seu discípulo Daisaku Ikeda, que expandiu internacionalmente essa herança filosófica e espiritual.
Rio de Janeiro.