Há pessoas cuja passagem pela existência não se encerra com a despedida. Permanecem de outro modo — disseminadas na memória, nos gestos incorporados pela vida, nas palavras que ainda ressoam no coração daqueles que as amaram.
Hoje, no Dia das Mães, aproximo-me de minha mãe sob múltiplas configurações da lembrança, porque nenhuma forma isolada seria capaz de contê-la. Vejo a filha que um dia também carregou sonhos e espantos diante do mundo; a esposa que partilhou os dias entre delicadezas e resistências silenciosas; a mãe cuja presença atravessou o tempo e permaneceu como abrigo interior mesmo após a partida.
Relembro a professora que converteu o conhecimento em gesto humano, e a mulher de sensibilidade rara, que encontrou na poesia e na escrita uma forma de permanência em diálogo com a vida.
Havia em minha mãe essa estranha beleza das pessoas que não apenas existem: irradiam inteligência, pensamento, linguagem e memória.
O tempo levou a presença física, mas não a permanência essencial, porque certas pessoas permanecem no mundo pela marca silenciosa que deixam no coração daqueles que as amaram. Assim permanece minha mãe — entre lembranças, palavras, silêncios e afetos que a ausência jamais conseguirá apagar.
Hoje, aproximo-me de sua memória com respeito profundo. E, dentro de mim, ainda escuto sua presença inteligente atravessando o tempo, como uma voz firme, decidida e eterna.
Sílvia Mota
Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Rio de Janeiro, 10 de maio de 2026 — 12h