"Qual é o propósito da vida? Se fosse para expressar isso em apenas uma palavra teria que ser ‘felicidade’. O propósito da educação deve, portanto, estar de acordo com o propósito da vida.” Tsunesaburo Makiguchi
Tsunesaburō Makiguchi foi um educador e pensador japonês nascido em 6 de junho de 1871, na província de Niigata, Japão. Sua trajetória intelectual e ética se construiu sob condições modestas, o que marcou profundamente sua visão sobre educação e dignidade humana.
Formado na Tokyo Higher Normal School (atual Universidade de Tsukuba), dedicou-se ao magistério com um propósito claro: reformular o ensino tradicional japonês, que considerava excessivamente rígido e desvinculado da vida concreta. Para Makiguchi, a educação deveria cultivar a felicidade do indivíduo e sua capacidade de criar valor na sociedade — ideia central de sua filosofia pedagógica.
Essa concepção foi sistematizada em sua obra mais conhecida, Sōka Kyōikugaku Taikei (“Sistema de Pedagogia de Criação de Valor”), publicada em 1930. Nela, propõe que o valor humano se constrói a partir de três dimensões: o bem, o benefício e a beleza — não como abstrações, mas como experiências vividas.
O objetivo da educação — enfatizava o educador — não é transferir conhecimento, mas orientar o processo de aprendizagem de forma a dar-lhe condições para que produza o seu próprio conhecimento.
Nos anos 1930, Makiguchi aproximou-se do budismo de Nichiren Daishonin, encontrando nessa tradição uma base espiritual para sua visão ética e educacional. Ao lado de seu discípulo Jōsei Toda, fundou a Soka Kyoiku Gakkai, que mais tarde daria origem à Soka Gakkai, cujo significado literal é:
Sōka (創価): “criação de valor”
Gakkai (学会): “sociedade” ou “associação de estudos”
Assim, Soka Gakkai pode ser compreendida como “Sociedade para a Criação de Valor”. Mais do que uma tradução literal, a expressão carrega uma proposta ética: viver de modo a transformar circunstâncias, produzindo significado, dignidade e contribuição no mundo.
Durante a ascensão do militarismo no Japão, Makiguchi recusou-se a submeter sua consciência às imposições do Estado, especialmente à obrigatoriedade de culto ao xintoísmo estatal. Essa recusa levou à sua prisão em 1943, sob acusações de violar a Lei de Preservação da Paz. Permaneceu encarcerado até sua morte, em 18 de novembro de 1944, na prisão de Tóquio. Sua morte não representa apenas o fim de uma vida, mas a afirmação radical de um princípio: a educação e a fé não devem se curvar à coerção política.
Após sua morte, seu pensamento continuou a se expandir, sobretudo por meio da atuação de Jōsei Toda e, posteriormente, de Daisaku Ikeda, consolidando a difusão global da filosofia da criação de valor.
Os seus ensinamentos se mantêm atuais ano após ano, e, no Brasil, são a parte fundamental das atividades de ensino do Instituto Soka Amazônia.
Com base nos valores Soka e no humanismo Ikeda, o Instituto Soka Amazônia realiza programas de Educação Ambiental para jovens do ensino infantil ao universitário, com propósito de promover e realizar ações socioambientais para a construção de uma sociedade ambientalmente mais consciente com base na visão humanista do fundador Dr. Daisaku Ikeda, garantindo a integridade da natureza e dos seres que nela habitam.
Makiguchi permanece como figura singular: um educador que fez da pedagogia uma forma de resistência — e da resistência, uma ética do humano.
Rio de Janeiro, 4 de maio de 2026 — 7h11