Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Meu Eu-poético sente saudades de algo eterno, do qual não se consegue lembrar... (Sílvia Mota)
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Textos

As vísceras da Terra

 

No ventre mineral, fermenta a noite antiga,

nas crostas, um ardor sem nome se devora.

A carne da raiz é dança em falsa intriga,

e o tempo, em densa cal, silencioso aflora.

 

Há nervos de basalto em febre mal contida,

que pulsam sob o chão, sem forma nem memória.

A seiva já não traz promessa de outra vida,

mas resto que sustém extinta trajetória.

 

O ser humano, à luz, esquece o fim da Terra,

e pisa sem ouvir o grito desumano.

Do fruto que colheu, esconde a própria guerra.

 

O abismo que sustém a vida em surda chama,

sussurra o verde amor — no íntimo, profano.

E beija a escuridão da víscera que inflama.

 

Rio de Janeiro, 3 de maio de 2026 — 5h34

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Enviado por Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz em 03/05/2026
Alterado em 04/05/2026
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