Há um som sem corpo
que permanece no ar.
Não chega — insiste.
Entre céu e inferno,
uma falha de silêncio
suspende o mundo.
O amor rasteja,
muda de forma
e perde contorno
ao tocar o tempo.
Certos sons devolvem
o que não existe:
matéria sem origem,
irreconhecível, sem norte.
Há um retorno quebrado,
sem nome possível,
nem lembrança,
nem presença.
Recusa desaparecer,
recusa ser memória,
não pertence ao passado —
é interferência.
Um eco sem fim
que ignora o fim.
Rio de Janeiro, 1º de maio de 2026 — 21h