Nessa seara, há fusão entre memória e desejo, como se os sentidos recusassem suas fronteiras.
Há perfumes que não pertencem apenas ao olfato; insinuam-se na boca da lembrança, deixam um gosto lento na alma, como fruta madura colhida ao entardecer. O cheiro, então, deixa de ser ar e torna-se presença: algo que se prova no silêncio, que permanece depois da ausência, que arde com a delicadeza de um vinho antigo.
Após a leitura de "O sabor do seu cheiro", de Raquel Ordones.
Rio de Janeiro, 29 de abril de 2026 — 9h49