Um risco de giz no chão
inscreve o destino
nos quadrados silenciosos
das moradas do tempo.
Há um pé na infância
— resíduo de origem —
que busca, na sorte,
a cifra instável do equilíbrio.
O salto inaugura a dúvida:
um pé no mundo
e outro no vazio —
a escolha se faz abismo.
A pedra declina sem peso
onde o fado consente,
e o gesto humano — finito —,
aspira alcançá-la sem queda.
No ápice do traço,
o céu convoca a vida,
que tantas vezes se dissipa
nos sonhos do inferno.
Há tarde princesa,
de sonho rainha,
que cabe no riso das mãos
e no soluço dos pés.
Sílvia Mota
Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Rio de Janeiro, 15 de março de 2026 — 3h47