O silêncio tem dentes. Morde o eco das vozes que ousam crescer. As palavras — nuvens negras — sangram sobre ruas vazias, onde sombras caminham sem nomes.
O ar cheira a ferro e memória. O chão, a cinza de livros esquecidos. Canções são espelhos quebrados: refletem, mas nunca retornam.
As paredes respiram lentamente, carregam o peso dos olhos que viraram pedra, das mãos que escreveram em vão, das bocas que se tornaram túmulos de si mesmas.
Há uma noite que não termina, uma luz que vacila entre o medo e o sonho. Veste botas e algemas, fala em sussurros que atravessam o tempo, enquanto a esperança se equilibra no fio da memória.
E, no fim, resta a cicatriz: não curva nem se dobra. Brilha estranha e silenciosa, como se dissesse: quem ama a liberdade não conhece palavras mortas.
Ditadura — nunca mais!
Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Rio de Janeiro, 13 de setembro de 2025 - 7h16