Quando a lealdade falha
Sem ingenuidade, acredito nas pessoas que escolho para caminhar ao meu lado. Confiança, para mim, jamais foi cegueira. Reconheço a condição humana e, com ela, a possibilidade da traição. Por isso, a inveja não passa despercebida, e a deslealdade é reconhecida antes de se consolidar.
Às pessoas estimadas, entrego tempo, alertas e inúmeras oportunidades. Em certos momentos, endureço o tom — não por mera rispidez, mas por inconformidade diante do real e pela recusa em desistir cedo demais.
A exigência é simples e declarada: lealdade. Quando essa base falha e a inveja — assim como outros sentimentos baixos — se revela persistente, sem possibilidade de reversão, o ponto final se impõe.
Não mais há rompantes de humor. Há lucidez. O coração recolhe-se. Sem cena. Sem explicações. Sem alarde. Quando o cansaço chega, chega inteiro.
Nesse estágio, quem tentou ferir entra em perplexidade. Estranha a ausência de novos confrontos e a inexistência de guerra.
Restou silêncio.
E retirada.
Conforme o grau de envolvimento, o processo trafega por anos ou segundos. Não, não há sofrimento. Há observação. Sou inteira no que faço — ou tudo se oferece, ou nada permanece.
Porque certas escolhas escapam à moral e à emoção: pertencem ao plano ontológico.
E retirar-se, por vezes, nada mais é do que permanecer fiel aos próprios princípios.
Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Rio de Janeiro, 30 de dezembro de 2026 — 14h10