Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Meu Eu-poético sente saudades de algo eterno, do qual não se consegue lembrar... (Sílvia Mota)
Capa Meu Diário Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Prêmios Livro de Visitas Contato Links
Textos

A justiça chega ainda que tardia

 

Há uma pressa no mundo. Uma pressa que não sabe esperar, que confunde resposta com verdade e solução com acerto. Quer tudo agora — e esquece que quase nada do que importa nasce assim.

 

A justiça não acompanha esse passo curto. Não anda no mesmo compasso dos calendários inquietos nem se submete à ansiedade coletiva. O tempo que lhe pertence é outro. Mais fundo. Menos visível.

 

A demora, nesse caso, não é falha. É escolha.

 

Enquanto os dias passam, algo se rearranja. Não no palco, mas abaixo da superfície. Como semente enterrada, o essencial trabalha longe dos olhos, protegido do ruído. O silêncio, ali, não é vazio — é ofício. Tudo o que aspira ao verdadeiro exige esse intervalo. Quando a verdade é apressada, perde densidade e se desfaz.

 

A impressão de ausência engana. O movimento acontece onde não se aplaude: no ajuste das causas, na correção lenta dos desvios, no reencontro das proporções. Nada é improvisado. O que parece esquecimento é, muitas vezes, maturação.

 

Quando a justiça se manifesta, não chega como espetáculo. Não vem para surpreender, mas para encaixar. O mundo não treme; apenas se recompõe. O excesso cai por si, o disfarce perde função, a medida retorna às coisas como algo que sempre lhes pertenceu.

 

Só então se entende: o tempo não foi perdido. Serviu para separar o que pesa do que sustenta. Para permitir que o eixo fosse reencontrado sem violência. Para que a verticalidade voltasse sem alarde.

 

A justiça chega ainda que tardia, porque o verdadeiro não desaparece; porque nenhum artifício se sustenta para sempre; porque todo desvio, cedo ou tarde, encontra o próprio limite.

 

A justiça chega sem anúncio.

Sem ruído.

E não pede que se acredite — apenas permanece.

 

Rio de Janeiro, 23 de novembro de 2025 — 14h10

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Enviado por Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz em 29/12/2025
Alterado em 20/03/2026
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Comentários
Apostila - Direito dos contratos
Apostila - Lei de Falência e Recuperação de E...
Apostila - Direito do Trabalho - II
MOTA, Sílvia et al. Doenças pulmonares: uma v...
MOTA, Sílvia et al. Festa Surpresa
MOTA, Sílvia et al. Antologia de Poetas Brasi...
MOTA, Sílvia et al. Biodireito e Bioética
MOTA, Sílvia et al. Poetrix 4 - Terra
MOTA, Sílvia et al. Mãos que falam - antologi...
MOTA, Sílvia et al. Show de Talentos em Prosa...
MOTA, Sílvia. Apostilas jurídicas diversas
MOTA, Sílvia. Metodologia Jurídica II - Apost...
MOTA, Sílvia. Trabalhos acadêmicos: metodolog...
https://www.instagram.com/belasartesbelas_silviamota