O poeta não domina a dor; apenas a reconhece quando retorna sob outro nome. Escrever torna-se, então, um gesto de contenção: dar forma ao que insiste em permanecer informe. Às vezes escreve para adiá-la, às vezes para não esquecê-la — nunca para vencê-la. Há dias em que nada se sustenta, e ainda assim permanece. Coisas de poeta.
Nota
Fragmento de prosa poética que aborda a relação entre dor e criação, apresentando a escrita como gesto de contenção e elaboração simbólica do sofrimento.
Rio de Janeiro, 26 de dezembro de 2025 — 1h20