Existe amor proibido, ou somente emoções censuradas?
Talvez seja justamente nesse vão — nesse espaço onde o desejo encontra portas fechadas, caminhos interditos — entre rua e coração — que se esconda o que chamo de amor proibido.
Há amores que nascem no silêncio do olhar, na sutileza do gesto que se condena, no perfume de uma presença que se sente mas não se toca, no calor de uma lembrança que arde e ilumina. Há desejos que se encostam na vida e nela se diluem; soluçam rastros invisíveis, cicatrizes de intensidade que apenas o corpo e a memória reconhecem.
Cada gota de sentimento escorre pelo tempo — lenta, silenciosa — marca um rastro que desafia o esquecimento e denuncia a plenitude do que nunca se permite. O proibido não é vazio: tem densidade, abriga fogo contido, guarda música no silêncio; assume a forma de uma presença que arde no invisível, fio tenso entre exaltação e dor, entre desejo e impossibilidade — e, tal qual um vampiro, suga a seiva vital. À luz do dia, morre.
Rio de Janeiro, 8 de dezembro de 2025 - 22h10.