(Pesquisa)
Iara Iavelberg foi psicóloga, professora e militante de esquerda, conhecida por sua participação na luta armada contra o regime da ditadura militar no Brasil.
Dados Básicos e Formação
Nascimento: 7 de maio de 1944, em São Paulo (SP) — filha de Eva e David Iavelberg, de família judia com ascendência materna húngara e paterna romena.
Cresceu no bairro do Ipiranga, estudou no ensino secundário na Escola Israelita do Cambuci.
Em 1963 ingressou na Faculdade de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), onde também atuou como professora assistente.
Trajetória de Militância
Durante os anos 1960, em meio ao clima de repressão, começou a se envolver no movimento estudantil e na militância de esquerda.
Participou de organizações clandestinas como a Organização Revolucionária Marxista Política Operária (Polop), a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e, por fim, o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8).
Com o endurecimento da repressão, seguiu para a clandestinidade, participando de atividades de guerrilha.
Relação com Carlos Lamarca e Vida na Clandestinidade
Em 1969, conheceu Carlos Lamarca — capitão que desertou do Exército para se tornar um dos principais nomes da resistência armada — e tornou-se sua companheira.
O casal viveu clandestinamente por meses, mudando de esconderijo frequentemente para fugir da repressão.
Durante o período de guerrilha, Iara também atuava como formadora ideológica, dando aulas teóricas de marxismo e contribuindo para a articulação política dos grupos.
Prisão, Morte e Controvérsias
Em 20 de agosto de 1971, foi encontrada por agentes do regime em um apartamento no bairro da Pituba, em Salvador (BA).
A versão oficial divulgada na época afirmava que ela teria cometido suicídio para evitar prisão, sob efeito de gás lacrimogêneo.
Contudo, a família contestou essa narrativa. Em 1998 iniciaram-se medidas judiciais para exumação do corpo. Em 2003 um laudo forense indicou que a causa da morte era incompatível com suicídio — reabrindo o caso como possível execução.
A história de seu fim e o contexto da luta armada foram revisados pela memória histórica e por investigações posteriores.
Legado, Memória e Representações
Sua trajetória foi registrada no livro biográfico Iara: reportagem biográfica (1992), da jornalista Judith Lieblich Patarra — uma das primeiras obras a revisitar e reavaliar sua vida.
Em 2013, foi lançado o documentário Em Busca de Iara (dirigido por Flávio Frederico e escrito pela sobrinha de Iara, Mariana Pamplona), que reconstitui sua história e questiona a versão oficial de sua morte.
Sua memória permanece viva como símbolo da resistência, da coragem e da luta contra a repressão — especialmente para aqueles que estudam a história da ditadura militar no Brasil e a participação feminina nos movimentos de oposição.
Rio de Janeiro, 4 de dezembro de 2025 - 15h10