Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Meu Eu-poético sente saudades de algo eterno, do qual não se consegue lembrar... (Sílvia Mota)
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Textos

Figuras de linguagem no poema "Travessia", de Sílvia Mota

 

Considerações iniciais

 

O poema "Travessia" utiliza diversas figuras de linguagem para criar imagens expressivas e aprofundar seu significado.

 

A seguir, apresento todas as figuras de linguagem, verso a verso, sempre separando cada ocorrência e descrevendo o tipo e o efeito expressivo.


*Mantenho foco técnico; não entro na avaliação estética.

 

PRIMEIRA ESTROFE

 

1- “Quando toco / os limites do céu / e os limites da sombra”

 

a) “toco os limites do céu”

 

Metáfora: o “céu” não possui um limite físico tangível; o contato é simbólico.

 

Hipérbole poética: a ideia de tocar o limite superior da existência é uma ampliação expressiva.

 

Personificação: a noção de “limites do céu” como algo palpável aproxima o abstrato de um objeto.

 

b) “toco… os limites da sombra”

 

Metáfora: a “sombra” como dimensão interior, medo ou desconhecido.

 

Personificação: novamente há atribuição de fisicalidade (“limites”) a algo imaterial.

 

2- “descubro a força que habita / em meu ser profundo”

 

a) “força que habita”

 

Personificação: a força é tratada como um ente que mora, ocupa um espaço.

 

Metáfora: o “ser profundo” representa interioridade abstrata.

 

3- “acolho a luz que me atravessa”

 

Metáfora: a “luz” simboliza consciência, clareza ou potência interior.

 

Personificação: a luz tem movimento intencional (“atravessa”), como se agisse.

 

Hipálage leve: deslocamento poético da ação da luz.

 

4- “escuto o silêncio que me forja”

 

Oximoro implícito: “escutar o silêncio” combina elementos opostos.

 

Personificação: o silêncio possui ação humana de moldar (“forjar”).

 

Metáfora: o silêncio não forja literalmente; representa transformação interior.

 

SEGUNDA ESTROFE

 

5- “Entre medo e luz”

 

Antítese: oposição direta entre dois polos simbólicos.

 

6- “ergue-se a coragem em mim”

 

Personificação: coragem é tratada como entidade que se ergue.

 

Metáfora estrutural: elevação como manifestação emocional.

 

7- “— uma coragem sem medo —”

 

Paradoxo discreto: "coragem sem medo" é simultaneamente coerente e tensional.

 

Reiteração enfática: reforço da imagem anterior.

 

8- “ergue-se a alma que desperta — uma alma que expande —”

 

Personificação: alma que desperta e se expande.

 

Metáfora: expansão como aumento de consciência.

 

9- “e trilho mundos invisíveis / com meus passos certos / no solar incerto”

 

a) “trilho mundos invisíveis”

 

Metáfora: mundos invisíveis representam dimensões internas ou subjetivas.

 

Hipérbole poética: ampliação da travessia interior.

 

b) “passos certos / no solar incerto”

 

Antítese: certo × incerto.

 

Metáfora: “solar incerto” indica clareira instável, luz oscilante, estado transitório.

 

TERCEIRA ESTROFE

 

10- “O impossível se curva”

 

Personificação: o impossível age como um corpo flexível.

 

Hipérbole: transfigura o bloqueio absoluto em submissão.

 

11- “sob meus passos de fogo”

 

Metáfora: fogo como intensidade, determinação, força vital.

 

Sinestesia simbólica: associação de sensação térmica à ação do caminhar.

 

12- “não é muralha que me prende, / não é prisão que me limita”

 

Metáfora: muralha e prisão representam obstáculos emocionais/mentais.

 

Paralelismo sintático: reforça ritmo e contraste.

 

13- “mas ponte de estrelas que se inclina”

 

Metáfora: ponte de estrelas = passagem luminosa; transição espiritual.

 

Personificação: a ponte se inclina, ajusta-se.

 

Imagética cósmica: recurso imagético estruturante.

 

14- “chama e clama e reclama sem fim”

 

Aliteração: repetição do som /cl/ e /m/, gerando fluxo rítmico.

 

Paronomásia: proximidade sonora entre os verbos.

 

Graduação rítmica: sequência intensificada.

 

15- “ponte que me eleva o espírito”

 

Metáfora: elevação do espírito como ascensão interior.

 

16- “às chamas chamuscantes do infinito”

 

Aliteração (“ch”): reforça intensidade.

 

Metáfora: chamas do infinito como força transcendental.

 

Hipérbole: dimensão ilimitada e abrasiva.

 

ÚLTIMA ESTROFE (ESPELHO DA PRIMEIRA)

 

17- “Quando toco / os limites do céu / e os limites da sombra”

 

(Mesmas figuras já listadas no item 1.)

 

18- “desvendo a força que me atravessa”

 

Metáfora: força como fluxo interno.

 

Personificação: força que atravessa implica movimento intencional.

 

19- “enxergo a luz que me habita”

 

Metáfora: luz interior como consciência ou potência.

 

Personificação: a luz possui morada.

 

20- “e compreendo esse silêncio / que me permite inteiro.”

 

a) “silêncio que me permite”

 

Personificação: o silêncio concede permissão, como entidade ativa.

 

b) “inteiro”

 

Metáfora do estado de completude

 

Considerações finais

 

A combinação dessas figuras de linguagem confere ao poema um tom lírico e filosófico e explora a jornada interior do eu lírico em busca de autoconhecimento e transcendência.

 

Rio de Janeiro, 28 de novembro de 2025 - 9h20

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Enviado por Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz em 28/11/2025
Alterado em 28/11/2025
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