O filme “Frankenstein”, dirigido por James Whale e lançado em 1931, constitui um marco fundamental do cinema de horror clássico. A narrativa acompanha o cientista Henry Frankenstein, cuja obsessão pela superação dos limites naturais o conduz a uma experiência extrema: a criação artificial da vida. Para concretizar seu intento, reúne fragmentos de cadáveres e, por meio do uso da eletricidade, insufla existência a uma Criatura que se tornaria emblemática, interpretada magistralmente por Boris Karloff.
Embora frequentemente percebido como um monstro, o ser engendrado por Frankenstein não possui natureza maligna. Pelo contrário, surge como uma entidade inocente, que apenas se torna violenta em resposta à rejeição, ao medo e aos maus-tratos que recebe.
Tal dinâmica suscita uma reflexão central: até que ponto a ciência pode avançar sem que se ponderem as implicações éticas de seus experimentos? Ao desafiar as fronteiras da vida, o cientista assume um papel de criador, porém se exime das responsabilidades inerentes a esse ato, desencadeando assim uma série de tragédias.
O filme se destaca por sua atmosfera sombria e inquietante, pela caracterização icônica da Criatura e por sequências que se tornaram definitivas na história do cinema.
Apesar de sua antiguidade, a obra permanece atual ao problematizar temas éticos recorrentes, como o exercício do poder científico, a responsabilidade moral e os riscos da ambição desmedida.
Em síntese, “Frankenstein” não se limita a ser um filme de terror memorável; é também uma obra que instiga reflexões profundas sobre a condição humana, sobre o dever moral perante aquilo que criamos e sobre as consequências de ultrapassar limites sem plena consciência de seus efeitos.
Rio de Janeiro, 27 de outubro de 2022 - 10h.