Meu filho,
(Gratidão. Você nos proporcionou momentos inesquecíveis...)
A vida não profetiza Justiça,
mas oferece o zéfiro permanente
das marés que regressam,
o trilar dos pássaros
que embala a Natureza,
os dias que nascem de repente,
como se o tempo, sozinho,
aprendesse a sussurrar.
E, nesse movimento intenso,
tão maior que nós,
se você seguir, com serenidade,
a vereda fiel da sua verdade,
e guardar no peito
o que lhe é genuíno e essencial,
o mundo — com sua lenta sabedoria —
reconhecerá a luz que adormece
e desperta em você.
Não porque o caminho seja fácil,
mas porque quem subsiste inteiro
faz desbrochar passagens
onde só havia muros de pedra
e propicia sentido
ao que era somente sombra.
A vida, às vezes, é sombria;
às vezes, inexorável,
mas a consciência
— lâmina diuturnamente clara —
abre frestas na ilusão
e deixa a verdade entrar
nessa claridade que
mora quieta em você.
Prossiga, então, obstinado e cristalino
e cultive a nobreza dos seus passos,
porque o mundo se inclina, sim,
àqueles que caminham diligentes,
com lucidez no gesto
e luz na alma que encanta.
E nunca se esqueça, meu caçulinha:
onde existe verdade, há direção;
onde existe coragem, há caminho;
e onde quer que você esteja,
meu coração — suave e silencioso —
faz cafuné no seu.
Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Rio de Janeiro, 20 de novembro de 2025 - 21h55.