Há quem sucumba ao peso do destino
e chame abismo à lei que o protege;
há quem se cale ao tom do desatino
e em sombra viva emita um som herege.
Há quem do fraco seja a vã miragem
e faça o "não" ser pátria do receio;
são filhos do temor e é sem coragem,
que à noite entregam sonhos sem gorjeio.
Mas há quem marche além do desconforto,
quem rompa o muro e abrace o desafio;
quem trace rumo audaz em novo porto
e faça a fé no medo um véu vazio.
Esse impossível — sonho dos vencidos
é fera vil no coração que geme;
no peito forte há luz aos desvalidos
e o medo que se apaga nada teme.
Eu sigo atenta — inteira e verdadeira,
na chama antiga que por si requebra,
sou verbo vento e essência derradeira,
que ao tempo curva, mas jamais se quebra.
Rio de Janeiro, 26 de outubro de 2025 - 21h