Há figuras públicas que iluminam o debate e há outras que o reduzem ao ruído. Eduardo Bolsonaro pertence à segunda espécie. Não é voz — é eco. Um eco tosco, repetido sem filtro, que confunde barulho com discurso e provoca aplausos apenas entre os que temem o silêncio do pensamento.
Na ânsia de imitar mitos e encenar grandeza, revela apenas o vazio. O mentecapto não é aquele que ignora, mas aquele que, mesmo diante do saber, escolhe a cegueira. É quem rejeita a reflexão e se agarra ao grito; quem transforma a política em caricatura, a história em insulto e o futuro em ameaça.
No parlamento, não constrói: rasga.
Nas redes, não debate: provoca.
E na sociedade, não ilumina: obscurece.
Chamado de deputado, porta um título que não honra. Chamado de filho, carrega um sobrenome que pesa mais do que sustenta. Chamado de político, desconhece que a política é ponte — e não trincheira.
Mentecapto, sim: não por insulto, mas por definição. Porque aquele que renuncia ao pensamento condena-se à mediocridade — e arrasta consigo o que poderia ser diálogo, progresso, nação.
O vazio da palavra é mais perigoso que o erro. O erro, ao menos, supõe tentativa; o vazio, ao contrário, é desistência — desistência do pensamento, da ética, do país que ainda tenta existir apesar dos seus ecos.
Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Rio de Janeiro, 16 de setembro de 2025 - 9h36