A sua ausência é a solidão
que eu não sabia em mim.
É vértice silencioso
onde ecoam reminiscências
esquecidas e teimosas
daquele vendaval antigo
que curva o tempo,
mas não quebra o espaço.
Nas areias desertas,
feias e bolorentas
do seu não-estar,
estudo o mensurar do além
nos batimentos incontidos,
contidos no coração intacto
e nos queixumes coloridos
que ninguém alcança.
No espectro dessa ausência,
há uma luz clandestina —
a confissão abstrata
e infiel, de que o amor
não se sujeita à presença,
mas à intensidade do ser
que permanece.
Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Rio de Janeiro, 19 de outubro de 2025 - 23h07