Em cada queda, faz-se o silêncio; em cada recomeço, revela-se uma resistência antiga. A força verdadeira não se mede pela ausência de tombos, mas pela coragem de erguer-se — sozinho, porém inteiro, atento à própria essência, como quem contempla a própria sombra e a transforma em luz.
Caminhar pelos próprios passos é um rito que poucos compreendem. A solidão, nesse trajeto, não é vazio, mas presença depurada: espaço onde se escuta a voz interior, onde se descobre a profundidade do ser, como um fogo invisível que arde, aquece e ilumina a alma.
Há uma dignidade silenciosa na superação das dores ocultas, aquelas que não se rebelam, especialmente quando olhares obtusos aguardam a queda. A satisfação disfarçada de quem pressente o fracasso alheio não é triunfo; é apenas uma sombra de fragilidade, que se apaga diante da luz que renasce.
Mesmo diante do mal, o coração pode permanecer livre. A adversidade, paradoxalmente, ensina: até aqueles que desejam o mal podem ser tocados, de algum modo, pelo despertar do outro. A dor, nesse sentido, é mestra e guia — vento que espalha cinzas e, ao mesmo tempo, prepara o terreno para o fogo que renasce.
A bravura ergue; a maldade destrói. Quando tudo parece ruir, surge uma centelha antiga, insistente, pronta para recomeçar.
Renascer das cinzas não é retornar do nada, mas reencontrar o essencial: a força que sustenta, a serenidade que equilibra, a liberdade que ilumina.
Assim, a vida, mesmo em seus embates mais severos, mantém a capacidade de reinvenção — silenciosa, contínua, infinita — como o fogo que sempre retorna, renovado, incandescente… eterno.
Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Rio de Janeiro, 23 de outubro de 2025 - 15h02