Seguir,
mesmo quando o vento apaga os nomes,
e a estrada se transmuta em dúvida
entre o que parte e o que permanece,
entre o efêmero e o eterno.
Não é fuga:
é persistência,
eco silencioso da coragem que habita as pedras,
luz obstinada das manhãs que renascem como Fênix,
gesto que resiste ao cansaço,
alma que não abdica de si mesma.
Há quem pause para enumerar derrotas;
eu sigo, enumerando pulsares,
consciente de que tudo passa e tudo permanece.
Seguir é o instante suspenso
em que o pensamento, exausto,
renuncia à análise estática
e se entrega ao movimento,
como Orfeu atravessando Hades,
ou a luz que insiste em romper
o véu da noite e revelar o âmago do ser.
É verbo sem tempo,
estado da alma em travessia,
desafio que avança
entre ruínas e esperanças,
ponte sobre o próprio abismo,
respiração do impossível,
caminho que descobre a alquimia do silêncio,
a pedra que, ao ser tocada, se faz ouro.
Em cada passo,
feito de sombra e claridade,
reside um fragmento do universo
que sussurra ao ser:
existir é verbo em trânsito,
e o destino, apenas pausa,
como o fio de Ariadne
no labirinto do tempo.
Seguir é a chama que se mantém
quando o mundo se desfaz em ruínas,
o silêncio que ouve a música do cosmos,
o gesto que, mesmo em queda, encontra ascensão.
E, no fundo,
seguindo, descobrimos:
não há chegada,
apenas trânsito,
e cada passo é semente de eternidade,
cada instante, plenitude do infinito.
Rio de Janeiro, 8 de outubro de 2025 - 8h20