Na fotografia amarelada, um gesto banal se torna prenúncio. Mary Anne sorri, ornada pela ternura materna; Donald, ao seu lado, ostenta o rosto sério de quem já sonha com impérios.
A legenda — apócrifa ou não — soa como maldição disfarçada de aviso: “Que ele nunca entre na política. Seria um desastre.”
Eis a ironia do tempo: quando a palavra não é fato, pode ser presságio. Mesmo inventada, a sentença ecoa verdadeira no tribunal da história, porque a política, entregue a mãos que confundem poder com vaidade, converte-se em caricatura e tragédia.
Assim, a foto deixa de ser memória íntima para tornar-se metáfora: uma mãe ao lado do filho, e, atrás deles, invisível, o espectro de um país inteiro prestes a naufragar.
Rio de Janeiro, 1º de outubro de 2025 - 23h