Não é apenas a bala que mata,
mas o pão negado,
a água arrancada do povo,
o remédio distante.
Genocídio é cálculo,
é planilha infame,
é cifra que decreta a morte
com selo de progresso.
Cem, mil, milhões de famintos
reduzidos a estatísticas,
convertidos em algarismos frios,
sepultados em relatórios
que não cabem na consciência humana.
Enquanto taças de cristal
tilintam nos palácios,
olhos famintos brilham
sobre restos em lixões.
Enquanto cofres se fecham
em redomas douradas,
corpos são descartados
como excedentes da História.
Mas o capital não prevê
o levante da palavra —
a Poesia que rasga o silêncio,
o grito que subverte os números,
a memória que insiste em permanecer.
Nenhum ser humano é sobra.
Nenhum corpo é supérfluo.
Nenhum sonho é descartável.
Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Rio de Janeiro, 28 de setembro de 2025 - 20h36