No seio da amplidão se esconde a face rude,
que fere em surda voz o corpo em lenta estrada;
o tempo avança além e ao gênio da virtude,
devora em seu compasso a essência revelada.
O rio que não cessa em torvelinho açude,
consome o sonho em flor na aurora perfumada;
seu jugo não se vê e ao bel prazer que ilude,
ordena a vida e a dor em pauta bem traçada.
O tempo é duro algoz e arranca a mocidade
com sopro desigual de férrea disciplina
que move o resistir ao caos da eternidade.
Bem dentro do seu giro a luz se manifesta
no ardor da criação de origem sibilina
e o instante se refaz na chama que nos resta.
Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Rio de Janeiro, 15 de setembro de 2025 - 4h05