Respiro fundo.
O mundo lá fora espera,
mas, agora, o tempo é meu.
Fecho os olhos.
Imagino que cada peso
em meus ombros
se dissolve como neblina
ao sol da manhã.
As tarefas se alinham em silêncio,
uma de cada vez,
como pássaros que aguardam
o momento de voar.
Nada me exige
tudo ao mesmo tempo.
Sou o compasso,
e é no ritmo da minha alma
que a vida deve dançar.
Permito que a pausa seja sagrada,
permito que a calma seja guia,
permito que a insegurança seja vento —
leve e passageiro,
que não arranca minhas raízes,
mas apenas abana minhas folhas.
Respiro fundo.
O embargo se desfaz.
E a coragem, em mim,
volta a florescer.
Sílvia Mota
Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Rio de Janeiro, 14 de setembro de 2025 - 22h10