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Eis o belo e significativo poema escrito pela minha irmã Maux (Poemas de uma vida):
PELO AVESSO
Delineei um mapa pelo avesso...
Só segui seu contorno e marquei seus limites.
Delineei um mapa pelo avesso...
Houve risos, aplausos, elogios.
Saudaram a inteligência e a precocidade.
Dentro de mim, eu sabia que somente
delineara um mapa pelo avesso!
Delineei um mapa pelo avesso...
Foi pior que carbono. Não tracei nada certo.
Delineei um mapa pelo avesso...
Saiu tudo trocado, a imagem invertida.
E eu me perguntei
porque o espanto e o encanto,
se foi só o que eu fiz:
apenas, delineei um mapa pelo avesso...
Cresci, amei, dei vida
e formei sonhos.
Três anos só, eu tinha,
quando delineei um mapa pelo avesso...
Eu tinha então três anos...
Nada mudou prá mim. É tão igual ainda...
Faço tudo trocado.
É o meu traço invertido!
Ainda delineio a vida pelo avesso...
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REBELDE CARTOGRAFIA
Sílvia Mota - resposta poética
Delineaste um mapa pelo avesso.
Nunca o vi, mas o adivinho por inteiro
e sinto que o mundo real
sempre se escreve assim:
rios que correm contra a lógica,
fronteiras que sangram
sem pedir licença,
caminhos que se perdem
na poeira da História.
Se o teu mapa é avesso,
é porque o direito
nunca nos serviu.
Os mapas oficiais
traçaram grades,
inventaram muros,
forjaram destinos
que não eram nossos.
No avesso, porém,
há verdade escondida:
o coração pulsa
onde não há coordenadas,
a memória habita
onde não há fronteiras
e o sonho floresce
onde a geografia oficial
diz que não há jardim.
Por isso sigo contigo
no mapa ao contrário,
ainda que rabiscado
tão precocemente,
porque nos seus contornos
a vida se desenha
não como deveria,
mas como é.
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Dueto entre:
Sílvia Mota e Auxiliadora Vieira (Maux)