Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Meu Eu-poético sente saudades de algo eterno, do qual não se consegue lembrar... (Sílvia Mota)
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Textos

A morte sequestrada — orquestrada à alegria do Mal

 

Charlie Kirk tombou sob a bala. Era o instante que pedia silêncio, luto, reflexão. Mas não: a morte foi sequestrada, transformada em espetáculo, convertida em bandeira.

 

Nos púlpitos, ergueram sua imagem como “mártir da fé”. Lavaram-no nas águas da conveniência e ungiram-lhe a memória como estandarte de cruzada. Não interessava o homem, nem a dor da família, mas o símbolo útil à guerra santa da retórica.

 

A política, voraz como sempre, não tardou. No lugar das condolências, surgiram slogans; no espaço da compaixão, brotaram acusações. Uns gritam que “foi a esquerda que matou”. Outros bradam que “foi silenciado porque dizia a verdade”. Assim, a agonia de uma família foi convertida em combustível de palanque.

 

A bala que atravessou o pescoço de Kirk não matou apenas um ativista conservador; tornou-se metáfora da bala que atravessa a Democracia inteira quando o luto é transformado em marketing, quando o sangue vira bandeira e quando a religião é instrumentalizada para ungir a violência como destino.

 

Nesse refrão se assassina duas vezes: primeiro o corpo físico, depois a verdade. E quem aplaude esse teatro não presta tributo à vida — presta serviço à degradação do pensamento humano.

 

Há um limite que a humanidade não deveria ultrapassar: festejar a morte de alguém com requintes de maldade e vingança é inadmissível sob qualquer perspectiva ética ou moral. Aplaudir o fim de uma vida — seja de inimigo, opositor ou desconhecido — não é demonstração de força, mas de degradação coletiva. É o triunfo da barbárie sobre a compaixão, a consagração da barbárie sobre a dignidade humana, o aplauso da barbárie contra a própria essência da vida.

 

A História, implacável, não tem sede de manipulação, mas de Justiça. E é justamente esse desejo que a morte de Kirk deveria despertar: reflexão, consciência e humanidade. Mas, em vez disso, o que se vê é a morte sequestrada, orquestrada à alegria do Mal.

 

Dentro de mim, fica a pergunta que ecoa como sentença: – "Que sociedade humana é essa?"

 

Sílvia Mota

Poeta e Escritora do Amor e da Paz

Rio de Janeiro, 14 de setembro de 2025.

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Enviado por Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz em 14/09/2025
Alterado em 16/09/2025
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