O voto do ministro Luiz Fux na Ação Penal 2668 (a "trama golpista") soou como um sopro de rendição no tribunal da História. Enquanto a maioria ergueu a voz contra a trama golpista, Fux escolheu o refúgio das formalidades — como quem oferece capa de seda a um réu que tentou rasgar a Constituição.
Ao final da década de 90, no curso de Mestrado em Direito Civil da UERJ, fui aluna do então brilhante e respeitado professor Luiz Fux. Hoje, meu coração lacrimeja diante do atual ministro que reescreveu sua página não em glória, mas em conivência.
Não foi a toga que falou, mas o silêncio conveniente de quem fecha os olhos para o abismo, porque não há neutralidade possível diante de um ataque à Democracia: ou se está ao lado do povo e da lei, ou se presta guarida à sombra da tirania.
Fux, ao tentar absolver Bolsonaro, não absolveu o réu — maculou a si mesmo. O seu voto será lembrado não como prudência, mas como cicatriz de covardia. E a História, implacável juíza, o registrará entre os que hesitaram quando o Brasil pedia coragem.
Não se defende a Democracia com retórica vazia, mas com firmeza, justiça e memória.
Cada voz que falha nesse dever cava uma fenda na confiança do povo.
Em letras de ferro, o Brasil lerá:
— quando a Democracia clamou, Fux se calou.
Lastimável.
Sílvia Mota
Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Rio de Janeiro, 14 de setembro de 2025.